E assim serão os shoppings do futuro em Portugal…

É um inegável que o mercado de retalho está a mudar. A uma velocidade avassaladora. E este é um fenómeno global, que vai além-fronteiras. As compras tradicionais estão a ser, rapidamente, complementadas pelo comércio online. Os consumidores têm cada vez mais acesso a qualquer bem à distância de um clique: um smartphone e um cartão de crédito permitem comprar quase tudo, independentemente da localização do utilizador, do vendedor e do produto ou serviço transacionado. O tempo passou a ser o bem mais desejado e as compras virtuais oferecem-no aos consumidores. É neste cenário de mudança que importa colocar a questão: então, que futuro terão os formatos de retalho mais tradicionais?

Portugal é um dos mais maduros mercados de centros comerciais da Europa. É seguro dizer que resta pouco espaço de desenvolvimento para novos projetos, tendo em conta o crescimento e a concentração da população nos grandes centros urbanos. Mas olhando para a oferta existente, qual será o seu lugar no futuro do comércio no nosso país?

Talvez seja relevante olhar um pouco para trás. Em Portugal houve dois fatores determinantes para o sucesso dos centros comerciais: a lei do arrendamento, que provocou uma estagnação da oferta comercial, impedindo as ruas portuguesas de acompanhar as tendências de outras cidades europeias, e o conforto que este formato oferece; facilidade de estacionamento, possibilidade de compra comparada, “ruas” planas e abrigadas do sol foram alguns dos fatores que levaram os portugueses a aderir sem reservas aos centros comerciais.

Mas numa época em que o online ganha terreno diariamente e em que, mais do que apenas comprar o consumidor procura usufruir de uma experiência de compra, qual será a resposta dos centros comerciais? A chave está, em primeiro lugar, na adaptação. O portefólio português de centros é antigo – sendo que a grande maioria da oferta tem mais de 10 anos – e a realidade é que já é notória uma tendência no sentido da renovação.

O Amoreiras Shopping Center, o Big Bang do universo dos centros comerciais em Portugal, tem vindo a sofrer profundas mudanças, por exemplo. O seu food court foi recentemente alvo de renovação, retirando-lhe o cariz marcadamente de shopping e tentando dar-lhe uma aparência mais confortável, valorizando a experiência do utilizador, que acaba por passar mais tempo, aumentando a probabilidade de efetuar um maior número de compras. O Centro Colombo, outra referência no nosso mercado, tem caminhado na mesma direção; avizinha-se uma expansão, a praça de alimentação tem uma cara nova e alguns corredores estão a ser transformados; tudo para que o cliente tenha razões para continuar a visitar o centro, sabendo que vai acabar por encontrar uma nova experiência. Mesmo o Mar Shopping, em Matosinhos, com menos de 10 anos de operação, renovou pela segunda vez o seu food court. Até os centros comerciais mais pequenos e que têm tido um papel menos visível no panorama do retalho estão a reposicionar-se. Veja-se o caso do Saldanha Residence: com quase 20 anos de existência, está a passar por obras profundas para modernizar os espaços comuns e a oferta.

Num mundo em constante e rápida mudança o retalho não é uma exceção, mas creio que ainda estamos muito distantes, se é que algum dia lá chegaremos, do fim das compras físicas. O que não deixa dúvidas é que proprietários e marcas terão de empreender muito esforço e criatividade para que os consumidores continuem a ser surpreendidos e a ter motivos que os façam deslocar-se. O entusiasmo e a experiência que o centro proporcionará têm de conseguir oferecer e acrescentar algo à tentação e conforto do online.

Sobre o autor

Mafalda Cotta Consultora | Retail Agency

Mafalda Cotta conta com 11 anos de experiência no mercado de retalho em Portugal. Ao longo destes anos, tem trabalhado em diversas áreas desde os centros comerciais ao comércio de rua, passando pela representação de inquilinos (Tenant Rep). Iniciou o seu percurso profissional em 2001 na Linklaters sucursal em Portugal, como advogada, ingressando em 2005 no Freeport, como Leasing Executive. Em 2006 assumiu funções de consultora na Cushman & Wakefield, onde esteve durante 9 anos. Em 2015 juntou-se à H&M, como responsável de expansão do mercado Português para as marcas do grupo. Ingressou no Departamento de Retalho da JLL em Outubro de 2016. Ao longo da sua carreira foi responsável pela comercialização de vários centros comerciais e representou marcas como a Primark na sua introdução no mercado Português. É licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa.

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*